-Mas eu gosto tanto desse! – O ambiente está imerso em breu. Um quarto, talvez. – Queria levá-lo pra casa!
Está lá, iluminado a meia-luz, me encara com olhos úmidos que refletem aquela alegria triste de quem se contentaria com qualquer coisa que eu pudesse lhe prover, ainda que pudesse obter muito mais de outrem.
Estruturando um artigo para a aula de Antropologia, num grupo de quatro pessoas que não dormem há dois dias:
A- “Definir a evolução histórica”…”Evolução histórica” não é um pleonasmo? B- Por que seria? A- Porque toda evolução decorre através do tempo, da história. B- Tá, mas e, sei lá, a evolução na velocidade de um objeto? É devido à aceleração. A- Mas ela ocorre com a passagem do tempo. Não tem evolução que não seja pela passagem da história. C- Nem sempre! Tipo o Pikachu, quando evolui pra Raichu, não é por causa da história; é por causa da Pedra do Trovão.
E aqui de cima vejo todas as bitucas laranjas contra o fundo quase-negro do telhado da garagem. Cada uma, vinte minutos da minha vida nos quais provavelmente não teria feito nada muito melhor.
Mitologias tão complexas para esconder uma verdade tão simples. E a complexidade real, escondida nas mais indignas ficções.
É uma biblioteconomia um tanto genial, quando você para pra pensar.
És do fogo, irmão? Eras de terra, de carne, de sonhos? Mas só o fogo sabe, realmente.
Você sabe que ninguém vai ler isso hoje. Ou amanhã. E em menos de uma década, não haverão sequer olhos para ler. Então por que escrevo?
Moleque teimoso da porra.
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